Segurança (NRs)

Como Fazer Laudo NR-35: Passo a Passo Técnico para Empresas e RTs

Eng. Marcelo Ximenez5 min de leitura
Como Fazer Laudo NR-35: Passo a Passo Técnico para Empresas e RTs

Resumo rápido

  • Não existe modelo único de laudo NR-35: o documento deve deixar explícito se trata de conformidade operacional, inspeção do SPQ ou verificação estrutural de ancoragem.
  • Ancoragens, linhas de vida e estruturas de suporte exigem memorial de cálculo e ART, não apenas checklist de EPI.
  • O laudo só tem valor prático quando integrado ao PGR, com plano de ação, prazos e responsáveis definidos.

Laudo NR-35 não é formulário padronizado. É documento técnico de avaliação de conformidade para trabalho em altura, que combina ART, análise de risco, evidências de campo e plano de ação corretivo. Quem trata isso como preenchimento de checklist genérico entrega laudo fraco e juridicamente frágil.

O que caracteriza tecnicamente um laudo NR-35

A NR-35 define trabalho em altura como qualquer atividade executada acima de 2,00 m do nível inferior, com risco de queda. O laudo precisa partir dessa definição para delimitar o que entra e o que fica fora do escopo avaliado. Isso inclui acesso, permanência, resgate, interferências operacionais, frequência e duração das tarefas em altura.

O documento deve conter identificação da empresa, local, atividades avaliadas, limites da inspeção e responsável técnico habilitado, com ART emitida no CREA quando o serviço técnico executado exigir. Sem essa formalização, o laudo vira relatório informal sem valor probatório para fiscalização ou auditoria interna.

Definindo o escopo antes de ir a campo

Primeiro passo prático: delimitar quais atividades, equipamentos e áreas serão inspecionados. Cobertura, fachada, mezanino, torre, telhado, estrutura metálica e pontos de ancoragem têm exigências distintas e nem sempre cabem no mesmo laudo. Misturar escopos sem deixar claro o que foi avaliado é o erro mais comum em laudos entregues por quem não tem rotina de trabalho em altura.

Deixe explícito se o laudo trata de conformidade operacional (procedimentos, treinamento, autorização de acesso), inspeção do sistema de proteção contra quedas (SPQ/SPIQ) ou verificação estrutural associada (capacidade da ancoragem e do elemento estrutural que a recebe). São três frentes técnicas diferentes.

Documentação-base para levantar antes da vistoria

  • Plantas, memoriais de cálculo e projetos existentes da estrutura e dos sistemas de ancoragem
  • ARTs anteriores relacionadas à estrutura ou ao sistema de proteção contra quedas
  • Manuais dos fabricantes de EPI, trava-quedas, absorvedores e conectores
  • Registros de inspeção periódica dos equipamentos e das linhas de vida
  • Certificados de treinamento e reciclagem NR-35 dos trabalhadores autorizados
  • Procedimentos internos de trabalho em altura e plano de resgate

Passo a passo da vistoria e elaboração do laudo

  1. Definir o escopo formal do laudo, com atividades, equipamentos e áreas incluídas e excluídas
  2. Levantar a documentação-base e cruzar com o que existe fisicamente no local
  3. Executar a vistoria em campo: acessos, rotas, bordas desprotegidas, aberturas, guarda-corpos, linhas de vida, ancoragens, plataformas e condição da estrutura de suporte
  4. Comparar o existente com as exigências da NR-35 e das normas técnicas aplicáveis aos componentes do sistema de proteção contra quedas
  5. Classificar não conformidades por criticidade, priorizando risco de queda e risco de falha estrutural, com indicação de medida imediata quando houver perigo grave e iminente
  6. Emitir o laudo com conclusão técnica objetiva: apto, condicionado a correção ou interditado
  7. Acompanhar a implementação das correções e revalidar a conformidade após as adequações

Análise de risco e classificação de não conformidades

A análise de risco do laudo deve cobrir queda de pessoa, queda de objetos sobre áreas de circulação inferior, colapso de estrutura de apoio, falha de ancoragem, uso incorreto de EPI e condições climáticas que alterem o risco da atividade. Cada não conformidade precisa de registro fotográfico, criticidade atribuída e prazo de correção com responsável nomeado.

Evite laudo que apenas lista problemas sem hierarquizar risco. Um guarda-corpo fora de altura regulamentar e uma ancoragem subdimensionada não têm o mesmo peso na priorização do plano de ação, e o laudo precisa deixar essa diferença explícita para quem vai executar a correção.

Verificação estrutural: quando o laudo não pode parar no EPI

Em estruturas metálicas, avaliar apenas cinturão, talabarte e trava-quedas é insuficiente. O laudo precisa verificar a capacidade resistente do elemento estrutural que recebe os esforços da ancoragem, geralmente sob carga dinâmica de queda amortecida por absorvedor de energia. Viga, laje, pórtico ou terça de cobertura que suporta ponto de ancoragem exige checagem conforme NBR 8800, com memorial de cálculo específico.

Se houver linha de vida horizontal ou vertical fixada em cobertura, a conclusão técnica do laudo deve depender de projeto executivo, detalhamento e condição real da estrutura em campo, não apenas da existência do sistema. Compatibilidade entre ancoragem, conectores, absorvedor e cinturão paraquedista também precisa ser verificada, conforme especificação do fabricante e das normas de cada componente.

Normas técnicas complementares à NR-35

  • NR-01: integra os riscos de trabalho em altura ao PGR e ao inventário de riscos da empresa
  • ABNT NBR 16489: seleção, uso e manutenção de sistemas e equipamentos de proteção individual para altura
  • ABNT NBR 15836: referência técnica para cinturão paraquedista
  • ABNT NBR 16325: dispositivos de ancoragem, essencial quando o laudo trata de linha de vida ou pontos de ancoragem
  • ABNT NBR 8800: verificação estrutural de resistência e estabilidade quando o suporte é metálico

Riscos recorrentes que o laudo precisa tratar

  • Queda de altura por ausência de proteção coletiva em borda ou abertura
  • Falha de ancoragem ou subdimensionamento da estrutura de suporte
  • Uso inadequado de talabarte, absorvedor de energia ou trava-quedas
  • Queda de materiais sobre áreas de circulação de terceiros
  • Acesso improvisado ou manutenção executada sem isolamento da área
  • Ausência de plano de resgate formalizado e testado

Emissão do laudo, ART e integração ao PGR

O laudo fecha com conclusão técnica objetiva e anexos: fotos, memorial de cálculo quando aplicável, e plano de ação com prazos e responsáveis. Um laudo tecnicamente sólido não some depois de emitido: ele alimenta o PGR, transformando a correção pontual em controle permanente de risco. Sem essa integração, o documento vira exigência burocrática isolada e perde efeito prático na gestão de segurança da empresa.

Perguntas frequentes

Existe um modelo oficial de laudo NR-35?

Não. A NR-35 não define modelo padronizado de laudo. O documento precisa conter escopo, ART quando aplicável, análise de risco, evidências de campo e plano de ação, estruturados conforme a atividade avaliada.

Quando o laudo NR-35 exige verificação estrutural?

Sempre que houver linha de vida, ponto de ancoragem ou estrutura de suporte metálica recebendo esforços de sistemas de retenção de queda. Nesses casos, a NBR 8800 e a NBR 16325 se aplicam junto com a NR-35.

Quem pode assinar a ART de um laudo NR-35?

Responsável técnico habilitado no CREA, com atribuição compatível com o escopo avaliado: engenheiro de segurança do trabalho para conformidade operacional, ou engenheiro estrutural quando o laudo envolver verificação de ancoragem e estrutura de suporte.

O laudo NR-35 substitui o PGR da empresa?

Não. O laudo é um instrumento de avaliação pontual que deve alimentar o PGR, integrando as não conformidades encontradas ao inventário de riscos e ao plano de ação já existente na empresa.

Fontes e referências

  1. 1.gov.br
  2. 2.gov.br
  3. 3.gov.br
  4. 4.gov.br
  5. 5.gov.br
  6. 6.gov.br
  7. 7.gov.br
  8. 8.gov.br
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Eng. Marcelo Ximenez

Engenheiro Mecânico · CREA-PR 184487/D

Responsável técnico da MTA Engenharia, especialista em estruturas metálicas e projetos de grande porte. Já assinou mais de 500 projetos com ART e dimensionou 15 mil toneladas de aço em obras por mais de 15 estados.

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