Resumo rápido
- O checklist NR-35 precisa estar vinculada à AR/PT, não pode ser um documento isolado preenchido por formalidade.
- Priorize sempre proteção coletiva sobre sistema de proteção individual contra quedas; a ancoragem deve ter resistência comprovada e ser inspecionada antes de cada uso.
- Plano de emergência e resgate para suspensão inerte é item obrigatório, não complementar, e deve estar definido antes do início da tarefa acima de 2,0 m.
Toda atividade executada acima de 2,0 m do nível inferior, com risco de queda, se enquadra como trabalho em altura pela NR-35. Em canteiro de obras isso inclui laje, andaime, plataforma, telhado, passarela provisória e acesso vertical. O checklist não é um formulário burocrático: é a evidência documental de que o planejamento previsto na norma foi cumprido antes da liberação da frente de serviço.
Estrutura da checklist: antes, durante e encerramento
Uma checklist NR-35 funcional se divide em três blocos temporais. O primeiro cobre o planejamento e a Análise de Risco (AR), com Permissão de Trabalho (PT) quando o procedimento interno da empresa exigir. O segundo verifica a execução em si, com foco em ancoragem, EPI e condições ambientais no momento da tarefa. O terceiro trata do encerramento e da liberação da área, incluindo remoção de sinalização e registro de eventuais não conformidades corrigidas.
Cada item deve ser marcado como conforme, não conforme ou não se aplica, com campo obrigatório de ação corretiva sempre que houver não conformidade. Sem isso, a checklist vira papel de gaveta e perde valor como prova de diligência em eventual fiscalização ou investigação de acidente.
AR e PT antes de qualquer subida
O primeiro item verificável é a existência de Análise de Risco específica para a tarefa do dia, não uma AR genérica arquivada. Quando o serviço envolve espaço confinado, energia elétrica ou içamento simultâneo, a Permissão de Trabalho precisa estar emitida e assinada pelo responsável antes da liberação. O checklist deve ter campo para número da AR/PT, data e nome do emissor, evitando que o documento fique desvinculado da atividade real executada.
Proteção coletiva antes do sistema individual
A hierarquia da NR-35 é clara: proteção coletiva primeiro, sistema de proteção individual contra quedas (SPIQ) apenas quando a coletiva for inviável. O checklist deve registrar a condição de guarda-corpos, rodapés, telas e fechamento de aberturas de piso antes de autorizar qualquer trabalhador a subir sem essas barreiras. Bordas desprotegidas em laje, aberturas para shafts e vãos de escada são os pontos que mais geram não conformidade em canteiro.
Itens de proteção coletiva a verificar
- Guarda-corpo e rodapé em bordas de laje, plataforma e andaime
- Fechamento ou sinalização de aberturas de piso e shafts
- Redes e telas de proteção contra queda de pessoas e materiais
- Estabilidade e nivelamento de plataformas de trabalho
- Isolamento da área abaixo da frente de serviço, contra queda de objetos
Sistema de ancoragem e componentes do SPIQ
Quando o SPIQ é a solução aplicável, o checklist precisa validar a resistência do ponto de ancoragem, a ausência de arestas cortantes no ponto de fixação e a compatibilidade entre talabarte, absorvedor de energia, trava-quedas e conectores. Não existe margem para improviso aqui: um talabarte sem absorvedor conectado a um trava-quedas de outro fabricante pode falhar mesmo com todos os componentes individualmente íntegros. O sistema precisa ser avaliado como conjunto coerente, não peça a peça isolada.
Capacitação, aptidão e autorização do trabalhador
Nenhum trabalhador deve subir sem três condições simultâneas: capacitação específica em trabalho em altura, autorização formal da empresa e aptidão compatível atestada no programa de saúde ocupacional. O checklist precisa ter campo para conferir a evidência documental do treinamento (certificado com carga horária e data) e a validade da autorização interna. Reciclagem periódica, conforme definido pela empresa e pela norma, também entra nesse item, com atenção redobrada quando houver mudança de função ou de procedimento operacional.
Inspeção prévia dos EPIs
Cinturão tipo paraquedista, talabarte, absorvedor de energia, trava-quedas e conectores exigem inspeção visual e tátil antes de cada uso, não apenas na entrega do equipamento. O checklist deve verificar integridade de costuras, fitas e fivelas, ausência de cortes ou desgaste em fibras sintéticas, funcionamento do mecanismo de trava e identificação do Certificado de Aprovação (CA), conforme os requisitos da NR-6 para fornecimento e uso de EPI. Ajuste correto ao corpo do trabalhador também entra na verificação: cinturão frouxo ou mal posicionado compromete a distribuição de carga em caso de queda.
Condições ambientais e organização da frente de serviço
Chuva, vento forte, poeira reduzindo visibilidade e superfície escorregadia são condições que a checklist precisa capturar no momento da execução, não apenas no planejamento inicial. A organização da frente de serviço também entra aqui: isolamento de área, sinalização visível, canal de comunicação entre trabalhador e supervisor, e sequenciamento da atividade para evitar sobreposição com outros serviços simultâneos, como içamento de carga ou soldagem próxima ao ponto de trabalho em altura.
Plano de emergência e resgate: item obrigatório, não opcional
A suspensão inerte após uma queda contida pelo SPIQ é uma emergência médica com janela de tempo curta. O checklist deve confirmar, antes do início da tarefa, que existe plano de resgate definido, com equipe treinada, kit de resgate disponível no local e tempo de resposta estimado compatível com a situação. Não basta ter o número do SAMU anotado: o plano precisa prever quem executa o resgate, com qual equipamento e em quanto tempo, considerando o acesso real ao ponto de trabalho.
Normas complementares: NR-18 e NR-6 no canteiro
A NR-35 não opera isolada em canteiro de obras. A NR-18 trata das condições e do meio ambiente de trabalho na construção civil e dialoga diretamente com acessos, proteções coletivas e organização geral do canteiro, itens que aparecem na mesma checklist de trabalho em altura. A NR-6 fundamenta o fornecimento, uso e Certificado de Aprovação dos EPIs utilizados, do cinturão ao capacete com jugular. Tratar essas normas de forma integrada evita lacunas entre a checklist de altura e os demais procedimentos de segurança do canteiro.
Erros comuns na aplicação da checklist
- Preencher o checklist após o início da atividade, e não antes, invertendo a lógica preventiva da norma
- Confundir a finalidade da NR-35 (segurança do trabalho) com a da NBR 8800 (projeto estrutural de aço)
- Aceitar ponto de ancoragem sem cálculo ou verificação de resistência, apenas por 'parecer firme'
- Não registrar evidência fotográfica do sistema de ancoragem e da proteção coletiva instalada
- Deixar o plano de resgate genérico, sem adequação ao acesso real do ponto de trabalho
Checklist sem responsável técnico nomeado e sem vínculo com a AR/PT não é gestão de risco, é registro de intenção.
— Prática de campo em canteiros de médio e grande porte
Perguntas frequentes
A partir de qual altura a NR-35 se aplica no canteiro de obras?
A NR-35 se aplica a toda atividade executada acima de 2,0 m do nível inferior, quando há risco de queda. Isso inclui laje, andaime, plataforma, telhado e acesso vertical, independentemente do tempo de permanência na altura.
O checklist NR-35 substitui a Análise de Risco (AR)?
Não. O checklist é a evidência de verificação de campo, mas deve estar vinculada a uma AR específica para a tarefa do dia e, quando aplicável, a uma Permissão de Trabalho emitida antes da liberação da atividade.
A NBR 8800:2024 tem relação com a checklist de trabalho em altura?
Indiretamente, sim. Quando o ponto de ancoragem ou a plataforma de trabalho é uma estrutura metálica provisória, o projeto dessa estrutura deve seguir a NBR 8800:2024. Mas a norma de segurança do trabalho em altura continua sendo a NR-35, não a NBR 8800.
Quem deve assinar o checklist NR-35 no canteiro?
A checklist deve conter campo para o responsável técnico pela frente de serviço e para o responsável pela supervisão da atividade em altura, ambos com nome legível e assinatura, vinculando o documento a pessoas identificáveis.
Fontes e referências
Eng. Marcelo Ximenez
Engenheiro Mecânico · CREA-PR 184487/D
Responsável técnico da MTA Engenharia, especialista em estruturas metálicas e projetos de grande porte. Já assinou mais de 500 projetos com ART e dimensionou 15 mil toneladas de aço em obras por mais de 15 estados.
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